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O protagonista é uma máscara

Quando assistimos um filme, torcemos pelo protagonista, em sua jornada ou missão. Isso acontece por que nos identificamos com ele.

Na tragédia grega clássica, segundo os preceitos aristotélicos, tal efeito é gerado através de uma narrativa que supõe a imitação de ações da vida humana levando a uma identificação do público com o enredo ali apresentado

A identificação ocorre baseada numa no jogo de mimética representativa daquilo que se assemelha às experiências reais ou simbólicas da platéia. Basicamente, as personagens se tornam dublês do público dentro da história.

Quando assistimos um filme ou um seriado, buscamos identificação com o protagonista num nível subconsciente, e isso é base para o sucesso desse produto. Quanto mais nos colocamos no lugar deste protagonista, mais a história ressoa, mais atenção damos à trama, e isso aumenta nosso senso de aprovação.

E como garantir esse sucesso? Tornar o protagonista uma tela em branco, ou tábula rasa.

Isso é baseado no processo de iconografia. Quanto mais simples e branda é uma representação, mais fácil é a identificação dela.

http://www.dsource.in/resource/grammar-and-vocabulary-of-comics/conclusion/images/5.1-(-x544).jpg 

Por exemplo, em um banheiro, encontramos a representação mais simples de um homem e uma mulher. Isso acontece por que aquele ícone existe para representar todos os indivíduos cis daqueles gêneros. Ou seja, todos os homens devem se identificar com o ícone masculino e todas a mulheres com o feminino. Para isso, ele deve ser um elemento brando.

http://s.glbimg.com/og/rg/f/original/2012/01/20/neo.jpgEsse conceito de "tábula rasa" para desenvolvimento de personagens protagonistas aparece constantemente no cinema.

Vemos em filmes como Matrix, Harry Potter e Guerra nas Estrelas. Temos personagens carismáticos, heroicos e capazes, mas o protagonista não é nada disso. Ele é normalmente alguém não muito notável, que foi descoberto como sendo especial.

http://eusouandroid.com/wp-content/uploads/Harry-Potter-Wallpaper-harry-james-potter-25678279-1024-768.jpgEssa é a fantasia de grande parte da população, a de que o mundo descubra o quanto somos especiais.

O protagonista existe na trama como uma fantasia, que vestimos para entrar na história, e ter aventuras ao lado de Han Solo, ou Ronny & Hermione.

E para que esse arquétipo do herói funcione, ele não pode ter muitas nuances, ou personalidade. Como o ícone no banheiro, ele deve ser simples, direto, para que nós possamos preencher essa lacuna com nossos próprios pensamentos e maneirismos.

[SPOILER ALERT] Um post sobre spoilers! [/SPOILER]


Um medo constante! É assim que me sinto no momento. Afinal, a qualquer momento alguém pode pular de traz de uma árvore e...estragar o final de Hannibal para mim!

Tenho acompanhado a série desde seu início, e o episódio final foi ao ar essa semana. Contudo, por uma longa lista de razões, ainda não pude assistí-lo.

Com isso ando com um temor real e presente que a qualquer momento serei atacado com um SPOILER!

https://pmctvline2.files.wordpress.com/2014/04/beverly-katz-body-hannibal.jpgSpoiler em português literalmente significa espoliador, ou aquele que pratica espoliação, (aquele que estraga ou aquele que subtrai deteriorando, degradando, dilapidando ou depredando algo). 


O termo se refere a qualquer fragmento de uma fala, texto, imagem ou vídeo que se encarregue de fazer revelações de fatos importantes, ou mesmo, do próprio desfecho da trama de obras tais como filmes, séries, desenhos animados, animações e animes, conteúdo televisivo, livros e videogames

Com as mudanças da indústria televisiva - que está cada vez mais tailor-made para as disponibilidades pessoais dos espectadores -, graças a tecnologias como a televisão digital e Netflix, o perigo do Spoiler cresceu.

Afinal, nós não todos assistimos os mesmos programas ao mesmo tempo.

Então, quando você assiste à uma série antes dos seus amigos, e portanto, sabe do desfecho do enredo e das personagens, você está transformando sua existência numa arma em potencial, uma bomba avassaladora, pronta para explodir!

O Spoiler pode ser não intencional, perpetrado de modo inconsciente numa conversa, como também pode ser proposital, fruto de uma elucubração intencionalmente planejada e perpetrada, sinal de maldade PURA.

Alguns casais vão longe e consideram assistir uma série sozinho, e saber spoilers, uma forma de traição (um texto muito bom sobre issoaqui).


Contudo, nem todo mundo considera Spoilers nessa luz negativa. Muitos acreditam que saber o que está por vir aumenta sua perceptividade para o que está acontecendo, melhorando sua experiência como espectador.

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Um novo estudo de pesquisadores da Universidade da Califórnia mostra que saber os fatos com antecedência pode aumentar o prazer, mesmo para livros marcados pelo suspense ou para enredos de filmes.

Depois de examinar três tipos de histórias -- reviravolta cômica, mistério e literária --, de autores como John Updike, Roald Dahl e Agatha Christie, eles constataram que os leitores preferiam versões que antes tinham um parágrafo que revelava o final da trama.

Em “Sequential outliers: the role of spoilers in comicbook reading”, o autor fala como: “Saber sobre o future permite que o espectador tenha uma leitura mais crítica e perceptiva do presente”.

http://i527.photobucket.com/albums/cc356/petterlicks/Game-of-Thrones-1x09.jpgMuitos já tentaram estabelecer regras para spoilers, mas é difícil padrões, quando o comportamento televisivo das pessoas é errático.

Afinal, antes, ou você assistia, ou só quando fosse reprisado. Hoje, posso estragar o final da primeira temporada de Game of Thrones, para alguém que começou a assistir só agora.

Músicas podem ser tristes?


“Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música”.
Aldous Huxley

Quem nunca teve um momento depressivo, quando colocou algum tipo de música emo, e ficou curtindo sua fossa?

A música é muito eficiente em conectar com nosso estado de espírito.

Usamos de música para fazer emoções se manifestarem e serem reforçadas. Afinal, sons suplementam, complementam e conjuram sentimentos.

Contudo, a música em si não contem nenhuma dessas emoções.


As letras podem expressar sim sentimentos, mas a melodia não. Acordes maiores não são felizes, assim como acordes menores não são tristes. Nós fomos condicionados a entende-los como tal.


De acordo com a teoria da imitação de Platão, também conhecida como Mimeses, toda a criação é uma imitação. Até mesmo o mundo é uma imitação da natureza verdadeira (o mundo das ideias). Sendo assim, a representação artística do mundo físico seria uma imitação de segunda mão.


A música, segundo essa teoria, é uma imitação da expressão física dos sentimentos. Então, nós percebemos a estrutura da música como sendo similar à forma como nos expressamos quando sentimos o que sentimos.


Existem também teorias que existe um componente biológico nessa questão, e que nós estamos geneticamente predispostos a reagirmos de uma certa maneira ao ouvirmos sonoridades. Isso explica como cachorros “entendem” sonoridades felizes, ou então quando você está reprimindo ele.


Ou seja, não seria a música que imita, somos nós que respondemos.

Uma terceira teoria é que, na verdade, a emoção que uma música vai inspirar depende do contexto em que você está a ouvindo. A música então é uma tabula rasa que serve de repositório ou espelho para o seu estado de espírito.


Para que a música “comunique” algo, precisamos estar, portanto, predispostos a entender essa comunicação, e recebe-la como tal.

De acordo com as teorias de Patrik N. Juslin & DanielVästfjäll, pessoas apreciam música justamente pelas emoções que elas evocam. De acordo com eles, os elementos que podem induzir emoções ao ouvir um som são:
 
(1) Reflexo das células cerebrais, (2) Condicionamento evolutivo, (3) Contágio emocional, (4) Imagético, (5) Memória episódica, e (6) Espectativa.


Por exemplo, você fica triste ao ouvir uma música do Bruno Mars, não porque a música é triste, mas sim por ela lhe levar a fazer uma associação com uma pessoa ou um momento.