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A Câmara de Eco e o que nós escolhemos ver

Facebook é um site e serviço de rede social que foi lançado em 4 de fevereiro de 2004, operado e de propriedade privada da Facebook Inc.. Em 4 de outubro de 2012, o Facebook atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos, sendo por isso a maior rede social em todo o mundo.

O Facebook é uma excelente ferramenta para manter contato com amigos, trocar informações, dividir fotos e expressar opiniões.

Teoricamente,  através de redes sociais, estamos cada vez mais informados, uma vez que individualizamos a propagação de informação. Cada um se tornou um divulgador de conteúdo, de forma que, com meus 328 amigos (eu sou seletivo, tá?) eu tenho acesso, [novamente, em teoria] a 328 pontos de vista únicos.

Eu uso o Facebook para coletar informação de conhecidos (e as vezes desconhecidos) sobre assuntos do meu interesse, sejam eles seriados novos, piadas do Family Guy, um novo clipe musical...

http://frankmedia.com.au/wp-content/upLoads/2011/06/echochamber123.jpgMas, como o Facebook é uma rede social, e cada um publica lá o que bem entender, existe um problema de excesso de informação, além de um desinteresse natural da minha parte sobre determinados assuntos.

Ou são pessoas falando sobre política (uns são PTralhas, outros coxinhas, não existe debate, apenas acusações), ou o resultado do último jogo de futebol, ou o episódio da novela, e por fim, o que aconteceu no BBB de ontem. Nada disso me importa.

Na tentativa de otimizar nosso tempo, acabamos por empregar filtros no Facebook: ignoramos algumas pessoas, bloqueamos outras, e vamos "melhorando" o conteúdo que recebemos em nossa timeline.

Como já falei anteriormente sobre os incríveis algoritmos de busca e seleção quando falei sobre o Netflix, vamos filtrando educando o programa a nos mostrar apenas aquilo que "queremos ver".

A rede social aprende quem são nossos amigos próximos, as pessoas que postam conteúdos que gostamos, e através dos nossos likes e comentários, ela se molda para espelhar nossas convicções.

Mas será que, através de nossos filtros, não estamos nos protegendo de opiniões contrárias as nossas?

Todos os assuntos podem ser discutidos - mas nem todas as pessoas podem participar. 

Quando criamos esses filtros, estamos criando dentro de nosso ambiente um falso senso de universalidade e maioria. Ao eliminar pensamentos contrários aos nossos, eliminamos também a oportunidade de debate. Esse fenômeno é chamado de "Câmara de Echo".

Em mídia, uma câmara de echo é uma situação em que ideias, pensamentos e informações são amplificadas e reforçadas através de transmissão e repetição dentro de um "sistema fechado". Esse sistema fechado implica o embarricamento de pontos de vista contrários, censurando-os ou, não os apresentando.

Argumentar deixa de ser necessário, pois somos cercados de concordância.

Quebrar esse looping de eco só é possível quando nos colocamos na desconfortável posição de receber e aceitar pontos de vista diferentes dos nossos, e abrir um debate coerente. Entender  e debater é uma forma de compartilhar conhecimento.

Merchandising: A publicidade para era digital?

A história da televisão com a publicidade é...complicada.

Muitos veem a publicidade como algo corrompido e sujo, que tira a credibilidade e prestígio dos programas. Contudo, o que poucos sabem é que toda a programação televisiva é criada e sustentada pelos anúncios.

A propaganda é uma atividade humana que já existe desde a Grécia antiga. O termo em si, contudo, se originou do nome “Sacra congregatio christiano nomini propaganda” (Sagrada Congregação Católica Romana para a Propagação da Fé), o departamento da Igreja Católica para divulgação do Catolicismo em vários países, com os missionários.

Com o desenvolvimento da tecnologia, surgiram os primeiros aparelhos de televisão e, com eles, as propagandas voltadas aos telespectadores, os comerciais de TV.

Inicialmente, programas eram diretamente patrocinados pelos anunciantes, ostentando os nomes dos produtos em seus títulos.

O nome dado para novelas em inglês demonstra bem isso: "Soap Operas".

Um exemplo da associação de produtos patrocinadores com programas é o do programa Bat Masterson, um western americano, que era patrocinado no Brasil pelo sabonete Cinta Azul. Tal era essa proximidade de patrocinador e marca que a música de abertura tinha o nome do sabonete na letra.

"O Sabonete Cinta Azul têm o prazer de apresentar um novo filme de cowboy: Bat Masterson".

Com o tempo, contudo, vemos esse link se tornar cada vez mais velado, com anúncios, em sua maioria, sendo relegados ao famoso intervalo comercial.

Essa separação de conteúdo e venda permitiu "liberdade criativa" para as emissoras. A programação fica à cargo dos produtores de conteúdo, e agências compram espaços de anúncio atrelado ao público que aquele conteúdo atrai.

Contudo, por mais que pessoas não gostem de pensar nisso, o conteúdo televisivo está lá para vender espaço comercial. O entretenimento do público é um meio para isso, não o objetivo.

http://payload71.cargocollective.com/1/8/261452/3723670/back_to_the_future_2_product_placement_6_500.jpgCom o advento da televisão digital, e de programação por demanda na internet,  a estrutura televisiva, e essa separação, parecem estar com os dias contados.

Não mais assistimos tv em horários fixos, nem tampouco temos paciência para comerciais.

 Anunciantes, antes relegados aos intervalos, agora retornam para compor o conteúdo. Só que, se antes eles estavam no título, agora aparecem de forma mais sutil.

http://cdn2.hubspot.net/hubfs/211508/Is_product_placement_still_an_effective_marketing_strategy_blog_pic.jpgEstão na mesa do café, na garagem da personagem, na bancada do banheiro. É o famoso merchandising editorial (ou Tie In, ou mais recentemente Product Placement), quando o anúncio faz parte do conteúdo.

O product placement é uma atividade que precisa de uma certa regulamentação, pois para públicos infantis ou ignorantes (e o Brasil tem bastante dos dois) essa “propaganda” pode ser utilizada como uma espécie de propaganda subliminar.

Enquanto é fácil entender a separação entre conteúdo e programa quando intervalos existem, no Tie In isso é muito difícil de separar.

https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/7d/1a/a6/7d1aa66f7d0a75b6d14b11aacbc78051.jpg 

Pegue por exemplo o filme "Naufrago". Temos por toda parte a empresa FEDEX, onde a personagem principal trabalha. Ela é parte importante de todo plot do filme. Temos também a bola Wilson. Ele é uma personagem coadjuvante, servindo de contraponto emocional para o personagem de Tom Hanks. Ambas essas inserções são merchandising editorial, e são parte da estrutura narrativa do roteiro.

http://www.3coloursrule.com/sites/default/files/Bond_Product_Placement-3-Colours-Rule.jpgEsse formato é extremamente eficiente em persuadir. Como já falei em outro post, nós somos muito vulneráveis para retórica, ainda mais quando ela está apresentada de forma sutil dentro de uma narrativa.

Dentro dessa nova estrutura de publicidade, tudo o que é usado, consumido e falado por um personagem pode ser uma propaganda.

Existe espaço ilimitado para marcas fazerem sua presença, e de produtores de conteúdo fazerem dinheiro com o que sabem fazer melhor: Vender sua atenção.


A deep Web e nossa mórbida curiosidade

Você já reduziu a velocidade do seu carro para olhar um acidente? Então você, como milhões de outros, têm uma curiosidade mórbida.

Como seres humanos, morte e o lado negro do mundo nos causa facinação. É por isso que nos sentimos compelidos, atraídos por violência, sangue e destruição. Isso vai de acordo com o que Freud chama de "Teorias de Pulsão".

Segundo Freud (1920), uma pulsão tem sua fonte numa excitação corporal (estado de tensão); o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional.


Sigmund Freud descreveu duas pulsões antagónicas: Eros, uma pulsão sexual com tendência à preservação da vida, e a pulsão de morte (Tânato) que levaria à segregação de tudo o que é vivo, à destruição.
Talvez seja por isso que as histórias que escuto sobre a deep web não me surpreendam em nada. Eu já pressuponho o pior do ser humano.

Para quem não sabe, a deep web é o conjunto de conteúdos da internet não acessível diretamente por sites de busca.

http://www.indalics.com/sites/indalics.com/files/pictures/dark_web.jpg

A internet como a conhecemos, também chamada de Surface Web, representa apenas a ponta do iceberg – ou seja, uma porção muito pequena do que a grande rede realmente é. Já o resto da massa de gelo, aquela que está submersa, corresponde à Deep Web, parte da internet que exige métodos específicos para ser acessada e que é capaz de proporcionar certo grau de anonimato para os usuários.

 O uso da Deep Web é bastante variado, e é aqui que reside a polêmica. Por causa da privacidade, muitas pessoas e instituições usam essa rede para compartilhar e hospedar arquivos sigilosos e que não podem estar disponíveis na “internet convencional”.

O exército, as forças policiais, jornalistas e até mesmo cidadãos comuns com algum conhecimento de internet são exemplo de pessoas que recorrem à Deep Web para fins específicos.

No entanto, o anonimato também permite a proliferação de uma série de atrocidades e coisas bizarras.

O comércio de drogas ilegais, órgãos, armas e até mesmo pessoas, além da pornografia infantil e a encomenda de assassinos de aluguel, são apenas alguns dos exemplos.

A Deep Web tem uma estreita relação com o Bitcoin. A moeda virtual que permite aos usuários conduzir transações no anonimato é extensamente utilizada na “internet invisível” para o comércio de produtos e serviços dos mais variados tipos.

Só para VIPs
Os endereços da Deep Web podem ser bem bizarros, como uma sucessão de letras e números seguida do sufixo .onion, em vez do tradicional .com. Originalmente, sua função é positiva: proteger conteúdos confidenciais, como os de governos, bancos, empresas, forças militares e universidades, acessíveis só com login, por exemplo.

Ponto Cego
A Deep Web pode ficar dentro de sites comuns (na forma de arquivos e dados baixáveis) ou escondida em endereços excluídos de propósito dos mecanismos de busca. O Google nem faz ideia do que está lá: ele seria como um barco pesqueiro que só localiza suas presas na “superfície” do mar.

Zona de Guerra
Nem pense em se aventurar nesses mares. Eles estão cheios de crackers (hackers com intenções criminais), que adoram “fisgar” usuários descuidados. Como não há filtros de segurança, eles facilmente conseguem, por exemplo, “zumbificar” o computador de um internauta (controlando-o a distância sem que o dono note) e roubar dados.

Predadores Abissais
A parte podre tem até nome: Dark Web. Lá se encontra de tudo: lojas virtuais de drogas, pornografia infantil e conexões terroristas para venda de armas. Como tudo fica nas profundezas, não há jeito de governos e a polícia tirarem do ar. É como se os sites tivessem vida própria, sem donos, registros e documentação.

Segue abaixo algumas histórias mais bizarras da Deep Web: