Quando assistimos um filme, torcemos pelo protagonista, em sua jornada ou missão. Isso acontece por que nos identificamos com ele.
Na tragédia grega clássica, segundo os preceitos aristotélicos, tal efeito é gerado através de uma narrativa que supõe a imitação de ações da vida humana levando a uma identificação do público com o enredo ali apresentado
A identificação ocorre baseada numa no jogo de mimética representativa daquilo que se assemelha às experiências reais ou simbólicas da platéia. Basicamente, as personagens se tornam dublês do público dentro da história.
Quando assistimos um filme ou um seriado, buscamos identificação com o protagonista num nível subconsciente, e isso é base para o sucesso desse produto. Quanto mais nos colocamos no lugar deste protagonista, mais a história ressoa, mais atenção damos à trama, e isso aumenta nosso senso de aprovação.
E como garantir esse sucesso? Tornar o protagonista uma tela em branco, ou tábula rasa.
Isso é baseado no processo de iconografia. Quanto mais simples e branda é uma representação, mais fácil é a identificação dela.
Por exemplo, em um banheiro, encontramos a representação mais simples de um homem e uma mulher. Isso acontece por que aquele ícone existe para representar todos os indivíduos cis daqueles gêneros. Ou seja, todos os homens devem se identificar com o ícone masculino e todas a mulheres com o feminino. Para isso, ele deve ser um elemento brando.
Esse conceito de "tábula rasa" para desenvolvimento de personagens protagonistas aparece constantemente no cinema.
Vemos em filmes como Matrix, Harry Potter e Guerra nas Estrelas. Temos personagens carismáticos, heroicos e capazes, mas o protagonista não é nada disso. Ele é normalmente alguém não muito notável, que foi descoberto como sendo especial.
Essa é a fantasia de grande parte da população, a de que o mundo descubra o quanto somos especiais.
O protagonista existe na trama como uma fantasia, que vestimos para entrar na história, e ter aventuras ao lado de Han Solo, ou Ronny & Hermione.
E para que esse arquétipo do herói funcione, ele não pode ter muitas nuances, ou personalidade. Como o ícone no banheiro, ele deve ser simples, direto, para que nós possamos preencher essa lacuna com nossos próprios pensamentos e maneirismos.
Homossexualidade é uma parte natural da sociedade, e sempre existiu, de uma forma reprimida, ou não, ao longo dos séculos.
Então, várias formas artísticas, buscando emular a natureza humana e a "vida como ela é", trataram de retratar a vida de personagens homoafetivos ao longo dos séculos.
Contudo, devido à censura, nem sempre isso pôde ser feito às claras. Muitas vezes, devido ao conservadorismo da sociedade, isso só pode ser feito através de "coding".
Essa expressão "coding" se dá pelo antigo Código de produção do cinema Americano, que proibia a identificação de um personagem como gay ou lésbica. O personagem então, apresentava trejeitos, algo que hoje chamaríamos afetações, ou estereótipos, para identificá-lo, sem expressar as palavras.
Um documentário que fala bastante dessa época em Hollywood é The Celluloid Closet, de 1995, com entrevistas com atores, produtores e diretores.
Esses personagens estereotipados, apesar de oferecerem um nível de "percepção" do público foram nocivos para a comunidade gay como formas de representação, pois geraram no público geral a idéia de que, se uma personagem não apresenta nenhum maneirismo, e nada for falado, ela é automaticamente heterossexual.
Isso porque temos uma percepção heteronormativa, que sugere que nossa cultura deve ser produzida para os olhos de uma maioria, e que histórias devem ser contadas para esse ponto de vista. Por isso vemos mais histórias contadas pelo ponto de vista do homem branco, enquanto outros protagonismos, o de mulheres, ou negros, ou gays, são relegados ao periférico e independente.
Contudo, como havia falado antes, a indústria aprendeu a usar de códigos para permitir colocar personagens LGBT em narrativas, sem expressar isso claramente. Essa se tornou uma trope chamada "A palavra de Gay".
A expressão vem de "A palavra de Deus". A sexualidade da personagem é apenas revelada pelo autor à posteriori, ou seja, torna-se canônica.
Muitos veem essas revelações com maus olhos, pois só funcionam em retrospecto, quando a obra já está finalizada, e quando não houve nenhuma revelação sobre isso dentro do filme ou livro.
Um exemplo claro disso é Dumbledore, o mago gay que nunca teve nenhum par romântico, nem demonstrou em momento algum sua sexualidade. Ela só foi revelada depois pela autora, em uma entrevista, quando a informação não poderia mais afetar suas vendas.
Contudo, existem casos em que essa informação pode ser interessante, como no caso de Ben Hur. Gore Vidal, o diretor do filme, revelou que os personagens de Ben Hur e Messala haviam tido um caso quando jovens. O ator que fazia Messala sabia do fato. Charlton Heston não foi avisado, pois Gore Vidal sabia que ele não aprovaria. Assistir ao filme com essa informação altera a experiência, pois vemos os olhares que Messala lança para Ben Hur à todo momento.
O ator que faz a voz de Timão em "Rei Leão" afirmou que ele e Pumba são o primeiro casal Gay da Disney, outra exposição pós-filme.
Sophie Turner, a atriz que interpreta Sansa, de Game of Thrones, afirmou que a personagem "corta para os dois lados", e que ela tinha um "crush" em Margaery.
Outra personagem bissexual é o capitão Jack Sparrow, de Piratas do Caribe, de acordo com o ator Johnny Depp, que o interpreta.
Contudo, vale lembrar que essas colocações são imateriais se nada será feito sobre isso em tela. Lembre-se que o valor de representação só existe se ele está expresso na arte, e, diferente de etnia, representação homoafetiva não tem o luxo de poder ser sutil.
É um marco, já que tenho o costume de desistir dos meus blogs pessoais. Acredito que a longevidade deste se dê por sua temática, que é abrangente o suficiente, mas ao mesmo tempo flexível. Sinto a liberdade para analisar qualquer assunto, sem que isso vá contra o objetivo deste veículo.
E pra celebrar esse acontecimento decidi fazer algumas listas diferentes de top 5, já que são os posts com listas que parecem atrair mais leitores...
Outra coisa importante é que decidi abrir para comentários os posts. Agora, se você quiser concordar comigo, e iniciar um diálogo sobre como estou certo, sinta-se livre ;P
As listas são aleatórias, e podem abordar qualquer mídia. Então, sem mais delongas, vamos aos Top Cincos!
Top 5 protagonistas mais legais
São os heróis da jornada. Para termos uma boa história, precisamos de um protagonista para quem torcer. Essas são as minhas personagens protagonistas favoritas:
5) Indiana Jones - Caçadores da Arca Perdida & filmes Indiana Jones
Criado por George Lucas, inspirado por estrelas de ação dos anos 30, e representado por Harrison Ford em quase todas as suas representações. O arqueólogo aventureiro é conhecido por seu estilo característico, vestido com chapéu fedora e chicote, e seu senso de humor sarcástico.
4) Tony Stark - Homem-de-Ferro & filmes Marvel Como não amar Tony Stark? Sarcástico, egocêntrico e narcisista, ele é quase o oposto do que esperamos de um super-herói. Diferente de um Superman, que seria o epítome do altruísmo, Homem-de-Ferro quer a idolatria que vem atrelada ao status de herói. E é por isso, por ele quebrar com todos os clichês dos heróis, que se tornou uma figura tão amada entre fãs.
3) Buffy - Buffy, A Caça-Vampiros
Regra número 1 para um protagonista: faça dela uma personagem falha. Nada mais chato do que perfeição. Buffy é uma adolescente, que também é a protetora da humanidade contra seres sombrios. Enquanto ela aprende como ser uma boa pessoa e viver no mundo adulto, ela deve combater vampiros, monstros e vampiros. Ela não é a dona da verdade, e não sabe o que está fazendo na maior parte das vezes, o que a torna como todos nós.
2) James Bond - filmes 007
O agente britânico com licença para matar não poderia estar fora desta lista. Com diversos atores protagonizando essa personagem (acho que só o Dr. Who teve mais atores representando o mesmo personagem), ela é ao mesmo eclética e icônica. 007 é cool, com seus carros e aventuras, o que o torna um ótimo protagonista.
1) Chihiro - A viagem de Chihiro
Se a história é uma jornada, podemos dizer que o melhor protagonista e herói é aquele que evolui e aprende com sua aventura. E para mim, Chihiro, de "A Viagem de Chihiro" é um verdadeiro exemplo de uma personagem que aprende, cresce, e se torna alguém mais forte ao final. Top 5 vilões mais brilhantes
Não existe vilão mais perigoso que aquele que consegue manipular as pessoas ao seu redor, se utilizando apenas de inteligência. Não que um vilão forte ou poderoso não seja assustador, mas um pensante é sempre mais aterrorizante. 5) Coronel Hans Landa - Bastardos Inglórios
Um detetive nazista, quase uma versão do mal de Sherlock Holmes, esse é um dos vilões mais interessantes que Tarantino já criou. Contudo, ele também é extremamente pragmático, nunca deixando-se tomar por ideologias ou patriotismo, o que o torna um tanto quanto imprevisível.
4) Coringa -Batman Outro vilão inteligente e imprevisível, mas esse é um agente caótico. Nunca sabemos o que o Coringa vai fazer, mas será algo chamativo e destrutivo. Como ele não possui um objetivo claro, fica difícil advinhar o que vem depois com esse vilão, o que torna assisti-lo uma experiência sempre divertida.
3) Imperador Palpatine - Star Wars
Como garantir vitória? Sempre jogue dos dois lados do tabuleiro. É assim que o Imperador de Guerra nas Estrelas trabalha, semeando discórdia e instigando a guerra em ambos os campos de batalha, até que resultado seja o melhor para ele mesmo.
2) Roger "Verbal" Kint -Usual Suspects O vilão que está bem na sua frente, mas você não consegue vê-lo. Esse é "Verbal" Kint, ou Kayser Soze, ou como quiser chamá-lo. Escondido atrás de uma fachada tímida e simpática, está um vilão manipulador e brilhante. 1) Little Finger -Game of Thrones
Caos é uma escada. Assim que Little Finger trabalha. Ele entende que para gerar oportunidades para crescer, ele precisa desequilibrar o status quo. É ele quem inicia todo o enredo da história que leva à guerra entre os reinos, sem jamais se envolver diretamente em nenhum aspecto da trama. Top 5 personagens minorias
Obras de ficção tem como obrigação retratar toda a diversidade de vidas e experiências humanas. Esses são alguns dos melhores exemplos de diversidade em produções recentes. 5) Wiccan & Hulking - Young Avengers O Filho da Feiticeira Escarlate e Visão e o filho de um guerreiro Kree e uma princesa Skrull. Esse casal gay faz parte do grupo de Vingadores jovens, chamados Young Avengers, e agora foram promovidos para o grupo oficial.
4) Ethan Chandler - Penny Dreadful Ao primeiro olhar, ele é mais um exemplo de uma protagonista cis, hetero, branca e homem. Um cowboy americano em Londres, representado por Josh Hartnett, ele parecia ter sido colocado apenas para amansar as tendências xenofabas estado unidenses, até descobrirmos que a personagem é o exemplo de uma das mais raras minorias, bissexual, um interessante twist.
3) Miss Marvel (Kamala Khan)
A mais nova personagem a utilizar o nome Miss Marvel, Kamala é uma adolescente paquistanesa que se descobre com superpoderes. A temática da personagem fala sobre aceitação, sobre abraçar as diferenças e sobre a pluralidade humana.
2) Sophia Burset -Orange is the New Black Uma personagem trans em um seriado de prisão poderia cair no caricato, ou exageiro. Contudo, Sophia é uma personagem multifacetada, interessante e complexa.
1) Garnet - Steven Universe
Como não amar uma personagem que representa o amor? Garnet é uma das personagens centrais de Steven Universe, e na verdade ela é a fusão de duas outras personagens, Rubi e Sapphire. O amor das duas é tão grande que elas decidem viver como uma entidade única.
Top 5 mundos de fantasia
5) Wonderland
Um mundo repleto de personagens caricatos e cheios de charme, o país das Maravilhas é uma terra fantástica. O mundo criado parece ser mais episódico que épico, o que tornou a última tentativa da Disney de tornar Alice uma espécie de Joana D'Arc para esse mundo alegórico um tanto quanto estaparfúdia.
4) Middle-Earth -Lord of the Rings
Uma terra com uma longa história, folclore e línguas próprias. Esse é o nível da fantasia criada por Tolkien. O mundo construído para servir de cenário para sua aventura guarda muita similaridade com nosso (Tolkien diz que a Terra-Média é de fato a Terra antes da Era dos Homens), e o cuidado que foi empregado para ambientar os personagens, suas raças e culturas é algo notável.
3) OZ
O mundo de Oz é interessante por sua construção também, com uma complexa geopolítica, que já foi bastante analisada.
Outro aspecto intrigante é que o protagonismo das histórias de OZ são todos femininos, o que é único dentro das fantasias.
2) Land of OOO -Adventure Time O colorido e dinâmico reino de OOO parece com algo saído da mente de uma criança. Monstros aterrorizantes, cenários incríveis e a oportunidade por aventuras à cada canto.
1) Westeros - Game of Thrones
Um reino construído com contornos políticos e sociais da Europa medieval, Westeros é uma terra dividida em 7 reinos, com economia, religião e culturas bem pensadas, e com uma estrutura de nobreza e fidelidades complexa e intrínseca para o enredo.
Top 5 donzelas mais indefesas
Essas personagens são a mais irritante das tropes femininas. A donzela indefesa existe para um único objetivo: Ser salva. Ela tem pouca ou nenhuma personalidade, e é completamente incapaz de se salvar de qualquer tipo de situação.
5) Lois Lane -Superman Uma conhecida donzela a ser salva, Lois não está mais alta na lista por que ela se coloca em situações perigosas por causa de sua profissão de repórter investigativa, e, algumas vezes, é capaz de se remover dessas enrascadas sem a ajuda do Superman.
4) Princesas de Adventure Time Adventure Time trabalha como uma paródia do clichê de donzelas indefesas, tendo diversas princesas sendo capturadas pelo Rei do Gelo (que tem literalmente como objetivo capturar princesas). 3) Athena -Cavaleiros do Zodiaco A Deusa mais inútil do mundo. Esse é o título que Saori Kido, a mais recente reencarnação da Deusa Athena deveria receber. Seu poder parece ser o de se colocar em perigo que necessite que seus defensores lutem periodicamente contra outros cavaleiros com o objetivo de salvá-la.
2) Mary Jane -filmes Homem Aranha Os fãs odeiam a Mary Jane dos filmes, e com razão. A única razão da existência dela era ser salva pelo herói, em todos os filmes. Se formos compará-la com a Gwen Stacey de Emma Stone, que participava ativamente da aventura e ajudou o Homem-Aranha nos filmes, a situação fica ainda mais feia. 1) Princesa Peach -Super Mario Bros.
Acho que essa princesa tem como hobby ser capturada. Só isso explica o número de vezes que a princesa do Reino dos Cogumelos foi capturada e precisou da ajuda do encanador italo-americano.
Top 5 armas fantásticas
Em uma história de fantasia, precisamos de armas mágicas ou incríveis para derrotar o mal. Essa é uma lista (sem ordem específica) das armas que eu considero mais legais, úteis ou memoráveis.
1- Thuder Sword - Thundercats | 2- Lightsaber - Star Wars | 3- Scythe - Buffy | 4 - Excalibur - Lendas do Rei Arthur | 5 - Elder Wand - Harry Potter
Top 5 trilhas sonoras mais memoráveis
A trilha sonora é responsável pelo clima do filme. Podemos dizer que os filmes desta lista foram elevados por sua música. Para que tenhamos uma trilha sonora de sucesso, a música precisa ser reconhecível, memorável, e tenha criado uma associação com o filme.
5) Guardians of the Galaxy
Como não amar as músicas de Guardians of the Galaxy? "Awesome Mix - Vol 1" é parte integrante do roteiro dessa ótima obra de aventura interestelar, com seu apelo aos anos 80, e clássico de diversos gêneros.
4) Quase Fanosos Quando o tema do seu filme é um jovem que tem sua vida definida pela música, o mínimo que você pode fazer é garantir que essa música seja ótima. Cameron Crowe acertou em cheio com essa trilha, que se utiliza de músicas de Led Zeppelin, Elton John e peças escritas exclusivamente para o filme.
3) Pulp Fiction
Apesar de seu conhecimento enciclopédico de cinema, Tarantino costuma sempre fazer as coisas de forma diferente. Para um de seus filmes mais emblemáticos, ele decidiu se desfazer de qualquer trilha, e se concentrou apenas em músicas existentes, o que foi bastante revolucionário na época.
2) A primeira noite de um Homem
Uma trilha feita por Simon & Garfunkel não teria como errar. Ela emprega um ar de sofisticação à história, e cria uma associação entre o filme e sua música que faz com que pensar no filme traga a memória musical quase que instantaneamente.
1) Forrest Gump
Um filme cuja história se passa no decorrer de décadas precisa de uma trilha que acompanhe esse ritmo, e demarque o período e ambiente. Com 32 músicas, essa grande trilha sonora capta a personalidade das cenas e da época, funcionando em sintonia com o filme.
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Temos um personagem masculino que está fazendo sucesso com os meninos, e agora queremos ter apelo para o público feminino. Devemos nos esforçar em criar uma personagem nova, com características, personalidade e história que permita que meninas se identifiquem?
Não. Vamos apenas criar uma contraparte feminina para a versão masculina.
Essa é uma trope conhecida em veículos de mídia. Aparentemente, tudo que as meninas querem é uma versão transexual dos heróis masculinos para chamar delas. [/ironia]
Assim como personagens femininas tendem a ser definidas por seus relacionamentos com os personagens masculinos, as contrapartes são definidas por seus relacionamentos com o personagem origem. Ou seja, ela não tem agência em suas aventuras, sendo relegada ao papel secundário de irmã, namorada ou prima do verdadeiro protagonista.
Isso propaga a idéia de que o homem é o padrão e a mulher é uma variação do padrão (um texto maneiro sobre isso nesse link). Mulheres são apenas variações do herói com uma saia, ou então, com vestido rosa.
Recentemente, foi anunciado um novo filme dos Caça Fantasmas, com um elenco inteiramente feminino. A notícia inicialmente pareceu um passo para mais representatividade de mulheres no cinema. Contudo, ao que tudo indica, vamos ter apenas contrapartes femininas para o elenco original.
Isso dito, não podemos negar que existem exemplos de personagens "contraparte feminina" que são interessantes, e evoluíram de seu modelo simples para personagens complexos. Seguem alguns exemplos mais memoráveis de contrapartes femininas:
1) Minnie (Minerva) Mouse
A primeira e provavelmente mais famosa contraparte feminina criada. Acho que a existência da Minnie comprova um claro narcisismo do Mickey, afinal, ela é exatamente igual a ele, tirando a saia e o laço.
Até hoje Minnie não possui uma personalidade muito definida, mas Mickey também não.
2) Supergirl & Batgirl
Ambas são claras versões femininas dos mais conhecidos heróis dos quadrinhos, mas Batgirl não nasceu nas páginas e sim no famoso seriado dos anos 60.
Alias, quadrinhos são um berço de muitas versões desse padrão de montagem por troca de sexo. Mulher-Hulk, Mulher-Aranha, vemos diversas versões femininas de personagens masculinos. O contrário não é tão ocorrente. 3) Lolla Bunny
Interessante notar que, enquanto a Disney sempre se utilizou deste trope, a Warner Bros não apresentava muitas contrapartes femininas para suas personagens.
Alias, tirando a Vovó do Piu-Piu, a Warner não tinha nenhuma personagem feminina recorrente.
Talvez por isso eles tenham sentido a necessidade de criar Lolla Bunny, para o filme Space Jam. Ela não só é uma contraparte feminina para o Pernalonga, como também sofre de Síndrome de Smurfette.
4) Xena - A princessa Guerreira
Nasceu como um spin-off the Hercules, com mesma equipe de produção, e seguindo a mesma estrutura narrativa.
Contudo, Xena é vista pela história como um produto melhor que seu "molde".
5) Amy Farrah Fowler (Big Bang Theory)
Amy nasceu como uma contraparte feminina para Sheldon, mas aos poucos os escritores foram lhe dando uma personalidade própria.
6) She-Ra
Irmã gêmea do He-man, She-Ra apresenta todos os fatores de uma contraparte feminina. Sua existência é apenas uma versão cor de rosa para o do He-Man, e até mesmo os vilões dela são contrapartes para os dele.
Como escritores, temos uma tendência a escrever coisas do nosso ponto de vista. Escrevemos o que conhecemos.
Ao criar personagens, autores costumam imbuí-los com traços familiares a eles, opiniões e traços de acordo com suas crenças e atitudes.
Isso, do ponto de vista estrutural, é excelente, pois a familiaridade do autor com a situação permite maior complexidade, com personagens mais críveis e naturais.
Contudo, do outro lado, um autor que só enxerga seu próprio umbigo pode pecar pela falta de diversidade, uma vez que só criará o que lhe é conhecido.
Em contrapartida, à fim de evitar homogeneização de seu elenco, muitos autores acabam por pecar no sentido contrário. Criam um personagem arbitrário, apenas para gerar diversidade. São os infames Token characters.
Um Token existe única e exclusivamente para gerar diversidade. Suas características terminam aí.
Diferente dos demais personagens, ele não tem outros interesses, apenas aqueles que envolvam o segmento ao qual ele está representando. É o famoso estereótipo.
Tokenismo é quando você inclui falsamente uma minoria historicamente
discriminada para ser usada como troféu de que você é tolerante e sem
preconceitos.
Trata-se
de uma estratégia para criar uma falsa aparência, ou seja, é uma medida
que finge integrar, com poucas concessões, quando no fundo o que se
pretende é manter as estruturas de dominação.
É
o que ocorre quando há UM negro em algum ambiente disputado, ou UMA
mulher num contexto masculinizado, mas eles são apenas utilizados como
peças simbólicas para que não haja maiores questionamentos.
Tipos comuns de Token:
A Minoria Token Qualquer estereótipo que sirva para representar uma minoria. Pode ser o negro briguento, o gay afeminado, o nerd, o judeu contador, a loira burra.
A Banda dos 5 Tokens
Quando seu elenco faz estilo comercial da Beneton, com cada personagem de um grupo étnico diferente. Muito comum em grupos como Power Rangers, onde temos o líder branco, um homem negro, uma mocinha asiática (quando o grupo possui pelo menos duas mulheres), uma mocinha branca e um mocinho representando outra minoria. A Smurfette Como o nome sugere, a Smurfette é a única mulher em um grupo formado quase exclusivamente por homens. Enquanto os demais membros do grupo possuem personalidades e características, a Smurfette é uma mulher, e só isso.
Um habito que eu adquiri recentemente é tomar iogurte grego. Adoro! O sabor e a consistência são uma delícia!
Contudo, muitas pessoas diriam que eu não gosto de iogurte grego...não realmente.
Explico: O que eu e muitos brasileiros chamam de iogurte grego, o que é vendido em supermercados no país todo, não é de fato iogurte grego. A consistência e sabor desse produto não é o que os gregos chamariam de iogurte, portanto, essa nomeclatura está errada.
(BTW, eu estive recentemente na Grécia, e realmente são produtos bem diferentes).
Essa dessonância ocorre pois aquilo que fomos ensinados não está de acordo com o que estão apresentando agora.
Quando aprendemos algo nós realizamos uma construção cognitiva, entre o nome e o que ele representa, e quando essas coisas não se encaixam, isso gera um ruído, e provavelmente, te deixará irritado.
"Se a rosa tivesse outro nome, ainda assim teria o mesmo perfume" William Shakespeare
Em lógica e semântica, millianismo sobre os nomes próprios é defender que os nomes têm denotação mas não têm conotação, o que significa que nomes têm referência e seu significado esgota-se na referência.
Basicamente, não existem adaptações nem interpretações. Uma coisa tem aquele nome, e nada mais pode ser chamado por aquele nome, pois o nome significa uma coisa só.
Vemos isso, por exemplo, com Pizza. Italianos dizem que as únicas pizzas verdadeiras são a pizza Napolitana e a Caprese. Todas as outras, por mais gostosas que forem, não podem ser chamadas de pizza.
Existem muitos defensores dessa teoria, também chamada de teoria da referência direta. Segundo essa teoria, certas expressões, em particular, nomes próprios, referem-se sem a mediação de conceitos ou, no jargão de Gottlob Frege, sentidos (Sinne) -- ou ainda modos de apresentação (Art des Gegebenseins). Tais expressões funcionariam como que "rótulos" (tags, nas palavras de Ruth Barcan Marcus) para os seus objetos.
Em contrapartida, temos A teoria das descrições, também conhecida como Theory of Descriptions. Segundo ela, não existe um "valor veritativo". Ela afirma que a forma sintática das descrições é enganosa, já que não correlaciona sua lógica e/ou arquitetura semântica.
Essa teoria, lançada em 1905 pelo filósofo Bertrand Russell, afirma que denotações são ambíguas. Por exemplo "O gato mais fofo" é único e individual, mas a sua verdadeira identidade é desconhecida.
Ou seja, a construção de significado é algo particular e cultural. Atribuição de significado na nomeclatura não é algo fixo, e precisa, portanto, ser colocado em contexto.
O que eu chamo de pizza, ou iogurte grego, e minha capacidade de apreciar tais produtos como são apresentados está ligado com minha vivência, e com a minha própria construção cognitiva.
E isso se torna mais interessante quando fazemos um exercício como nos "Googlear". Se seu nome de certa forma é um descritivo de você, como lidar com outras pessoas com o mesmo nome? Será que existem aspectos meus nos diversos André Tinocos pelo mundo, ou somos uma experiência cognitiva diferente?
Segundo o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.), existem três aspectos fundamentais na retórica. São eles: ethos, pathos e logos.
O Ethos refere-se às características do orador que podem
influenciar o processo de persuasão, como a sua autoridade, honestidade e
credibilidade em relação ao tema em análise.
O Pathos refere-se ao apelo ao lado emocional do
público-alvo. Para isso,
é imprescindível ter um conhecimento antecipado de como comover o
público.
Finalmente, o Logos diz respeito ao conteúdo do discurso, ao
uso da lógica. Isto é, à forma como a tese é apresentada e à força dos
seus argumentos.
A Retórica está presente na Publicidade essencialmente pela presença de
duas dimensões: a dimensão argumentativa e a dimensão oratória. A
dimensão argumentativa está relacionada com a utilização de argumentos
racionais, ou seja, numa fundamentação persuasiva, em que o logos (a
palavra) assume um papel fundamental.
A dimensão oratória
caracteriza-se pela utilização de marcas não racionais ( o ethos e o
pathos). Quando a emotividade remete para o polo do orador estamos no
domínio do ethos, quando a emotividade remete para o polo do
destinatário estamos no domínio do pathos.
A professora Deirdre McCloskey faz um link interessante sobre o poder da retórica. Ela discute o uso de persuassão como uma alternativa para a violência.
Segundo a professora, em uma sociedade "livre", temos duas opções: nos submeter a idéias, ou a pauladas. Infelizmente, se submeter é a única alternativa.
Contudo, dependendo do conteúdo que está sendo vendido, isso pode ser extremamente nocivo.
Se a retórica opera tanto na lógica quanto no emocional, ela pode acabar nos vendendo idéias que não queremos comprar...
Tome como exemplo essa propaganda:
O discurso publicitário, por ser persuasivo, tem um grande poder sobre o
público. Sua aplicação dá poder a quem se utiliza dele. A publicidade
tem um papel importante na nossa cultura, pois promove a troca simbólica
de ideias, produtos e serviços.
A propaganda apresentada tem como objetivo real vender a nova cerveja escura da Devassa, contudo, ela vende mais que isso.
Vemos o uso da metonímia, a mulher negra é trocada pela bebida e vendida como tal.
O uso da mulher como objeto não é nada novo em publicidade. Vemos exemplos constantes na propaganda:
Além do machismo presente, também vemos o obvio racismo inerente, em apresentar uma mulher negra como objeto de compra. E nós estamos passivamente comprando essas idéias, junto com os produtos.
A forma implícita como esses elementos são apresentados demonstra o quanto está enraizado o problema no Brasil. Não é o caso de um discurso de ódio, é parte da cultura onde estão inseridos esses anúncios.
Amigo 1: Você gostou desse filme? To querendo assistir. Amigo 2:Muito FODA! Adorei a história e as personagens. Amigo 1: Qual personagem você gostou mais? Amigo 2: A mulher. Amigo 1: Qual mulher? Amigo 2: Não tem como errar, é a única mulher no filme. Amigo 1: Mas...o que ela faz? Qual a participação dela? Amigo 2: Ah...ela não tem muitos diálogos. Ela tá mais lá para ajudar os caras...e numa hora ela á capturada pelo vilão, o que serve de motivação pros mocinhos. Amigo 1: Mas...o que você gostou tanto nela então? Amigo 2: Ela é gostosa.
A representatividade feminina em filmes e em produtos de comunicação em massa sempre foi...sofrível.
Existe uma percepção na indústria de que filme com protagonistas femininas só podem ser direcionados para mulheres, e como homens são vistos como o demográfico mais rentável, a maioria das produções são homem-cêntricas, tomando o ponto de vista masculino.
Mulheres são colocadas em posições secundárias em enredos, geralmente sem uma construção forte de história. Elas não tem agência na história, estão lá para serem figuras decorativas, e as vezes, usadas como parte da estrutura do enredo, para servirem ao roteiro.
Isso se dá em muito por grande parte dos roteiristas, produtores e diretores de Hollywood serem homens, e, como "contadores de histórias", preferirem um terreno onde estão mais confortáveis, com um ponto-de-vista similar ao deles.
Não que não tenhamos personagens femininas fortes, e filmes com protagonistas femininas, mas se olharmos a topografia das produções atuais no cinema, vemos um padrão claro, que coloca mulheres em plano secundário.
Há alguns anos, foi criado o teste Bechdel, feito como uma forma de trazer atenção à essa questão.
O teste recebe o nome em homenagem à cartunista norte-americana Alison Bechdel. Em 1985, uma personagem de seus quadrinhos Dykes to Watch Out For
expressou a ideia, que a autora atribuiu a sua amiga Liz Wallace. O
teste foi originalmente criado para avaliar filmes, mas é também
aplicado para outras mídias. Também é conhecido como o teste de Bechdel/Wallace, a regra de Bechedel, a lei de Bechedel ou a Medida de Filme Mo.
O teste é bem simples, e faz apenas três perguntas sobre o filme, ou produto de comunicação de massa em questão:
O filme tem pelo menos duas personagens femininas nomeadas?
O pior é que, algumas obras que falham no teste são aquelas
sobre mulheres e/ou destinadas ao público feminino.
A série de televisão Sex and the City
destaca seu próprio fracasso em passar no teste ao mostrar uma de suas
personagens principais perguntando: “Como explicar que quatro mulheres
inteligentes não tenham nada para falar que não seja sobre namorados? É
como se fossemos garotas da sétima série com contas bancárias!”
Segundo Neda Ulaby (*),
o teste ressoa porque “ele articula algo que frequentemente falta
na cultura popular: não o número de mulheres que vemos na tela, mas a
profundidade de suas histórias, e sua gama de interesses”
Contudo, passar no teste não significa que a obra seja feminista, e não passar, não significa que o filme não tenha uma personagem feminina forte. Um exemplo recente de uma falha no teste Bechdel é "Gravidade", filme protagonizado por Sandra Bullock. O filme é exclusivamente dela, quase não contendo outros atores, mas falha também ao teste.
Em uma tentativa de analisar quantitativamente o quanto as obras passam
ou não no teste, pelo menos um pesquisador, Faith Lawrence, observou que
os resultados dependem de quão rigorosamente o teste é aplicado. Uma
das questões decorrentes da sua aplicação é se a referência a um homem
em qualquer momento da conversa, que também abrange outros assuntos,
invalidaria toda a troca de informações. Se não, fica a questão de como
definir o início e o fim da conversa.
Existem outras formas de medir a presença feminina em filmes, como o teste Mako Mori, que mede a construção da personagem, e não interação entre personagens.