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Cultura popular tem de ser popular?

Popularidade é um conceito ambíguo.

Ao meu ver, temos 3 vertentes diferentes de "Popular": 1) Algo que muita gente gosta, 2) Algo que parece que muita gente gosta e 3) Algo que é feito para parecer algo que muita gente gosta.

O primeiro é bastante direto. Estamos falando de popularidade numérica. Harry Potter, Beyonce, The Big Bang Theory, todos têm muitos fãs.

O segundo é mais...ambíguo. Por exemplo, Breaking Bad e Mad Man. Ambos parecem bastante
populares...mas não exatamente. O episódio final de Breaking Bad teve uma audiência menor que a maioria das REPRISES de Big Bang Theory.

Algumas coisas são populares pois são faladas sobre. Talvez elas não tenham uma audiência gigantesca, mas elas são sucessos críticos, o que as torna importantes.

O terceiro é apenas desenhado para parecer popular. É um tipo de "estética pop". Dentro disso temos coisas como Lana Del Rey, coisas feitas para parecerem familiares, na esperança de se tornarem numericamente ou criticamente populares.

E ás vezes isso funciona, vejam Katy Perry, "Código Da Vinci" e "Guardiões da Galáxia". Todos foram criados para emular uma certa estética, som ou feeling, e se tornaram grandes sucessos.

Contudo, na maioria das vezes, essa técnica não funciona. São os famosos tubaínas. Marcas criadas para parecerem e remeterem à produtos de sucesso.

Contudo, quando analisamos a cultura popular, estamos analisando mais que apenas popularidade. E existem varias formas de entender o termo "cultura popular".

Cultura popular ou cultura de massa pode ser definida como qualquer manifestação (dança, música, festa, literatura, folclore, arte) em que o povo produz e participa de forma ativa.

Ao contrário da 'cultura de elite', a cultura popular também surge das tradições e costumes e é transmitida de geração para geração.

 http://www.iguzzini.com/media/immagini/2547_z_national_art_gallery_bangladesh_2.jpg

Cultura popular também pode ser percebida como cultura de massa, ou seja, cultura produzida pela indústria, de forma a ser consumida pela população.

E por fim, temos a cultura pós-moderna, onde cultura de elite e cultura popular são percebidas como uma só coisa.

Contudo, acredito que a melhor forma de perceber Cultura Popular não é através de um grupo pré-estabelecido, mas uma situação. É um processo que existe entre a audiência e a indústria.

Mídia é produzida através da percepção do autor. A audiência recebe essa mídia e decide abraçá-la ou não. Dessa tensão é que nasce de fato a cultura popular.


E com novas ferramentas como YouTube, a "indústria" deixou de ser um elemento externo. A população tornou-se responsável pela produção desta cultura.

E dentro deste caldeirão temos espaço para todas as vertentes e definições. Existe espaço para todos os tipos de culturas, dentro da chamada cultura popular.

Nerds X Hipsters: Capital Cultural & Iconografia tribal

É engraçado. Me lembro na minha juventude de assistir na sessão da tarde filmes como "Vingança dos Nerds" e pensar que ser nerd deveria ser a pior coisa do mundo. Eles eram retratados como seres socialmente retardados, dignos de pena.

Porém, vivemos num mundo "Big Bang Theory". Ser Nerd não só é aceitável. É quase norma.

Para preencher a lacuna de pária social, rótulo que ninguém deseja receber, foi criado uma nova categoria tribal: O Hipster. E não existe coisa pior no mundo que ser nomeado hipster. 
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Hipster é um termo frequentemente usado para se referir a um grupo de pessoas pertencentes a um contexto social subcultural da classe média urbana. A cultura hipster faz parte da variedade de subculturas que coexiste com a cultura mainstream.

A cultura hipster é marcada pela música independente, saudosismo recorrente, uma variada sensibilidade para a tendência non-mainstream (não comum, não recorrente) e estilos de vida alternativos. Os interesses referentes à mídia por esse grupo incluem filmes independentes, revistas e websites notadamente relacionados à música alternativa.

A cultura hipster tem sido descrita como um "mutante caldeirão transatlântico de estilos, gostos e comportamentos".

Então, por que tanto ódio aos hipsters? 


http://cdn.mundodastribos.com/607539-Estilo-hipster-roupas-e-acess%C3%B3rios.2.jpgBem, é simples. Enquanto hipsters clamam interesse por diversos elementos das mais diversas subculturas, eles não celebram esse interesse. Eles se utilizam desses ícones de forma irônica.

Se a ironia é o éthos de nossa época – e ela de fato é –, então o hipster é o nosso arquétipo do estilo de vida irônico.

E esse é o grande divisor de águas entre o Nerd e o Hipster. O Nerd celebra as coisas que ele gosta de forma efusiva. Existe uma ingenuidade no amor nerd, enquanto o Hipster carrega toda sua iconografia com um certo desprezo.

E isso é provavelmente o que causa o repúdio de outras tribos  à figura do Hipster. A chacota que ele faz dos interesses genuínos de outras subculturas.

Vemos as escolhas dos hipsters mais como performances do que como naturais. 

Segundo o sociólogo Pierre Bourdin, os nossos signos sociais possuem poder, que ele chama de "Capital Cultural".


Para Bourdin, objetos ou ícones sociais carregam valor a eles atribuídos. Utilizar deles, portanto, lhe dá status. Esse status, contudo, claramente é interpretado de forma diferente dependendo do grupo social pertencente. Para que um elemento seja aceito por diversos grupos como status, é uma batalha.

Essa luta simbólica decide o que é erudito ou popular, de bom ou de mau gosto. Dos elementos vitoriosos, formam-se o habitus e o código de aceitação social.

E, enquanto a maioria das subculturas têm de lutar pra ser percebida e adquirir valor para seus ícones, hipsters agem como bucaneiros, roubando e fazendo pastiches do que melhor funciona.

Eles estão, metaforicamente, usufruindo do valor cultural da iconografia, sem tomar parte do contexto e conteúdo da mesma.

Músicas podem ser tristes?


“Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música”.
Aldous Huxley

Quem nunca teve um momento depressivo, quando colocou algum tipo de música emo, e ficou curtindo sua fossa?

A música é muito eficiente em conectar com nosso estado de espírito.

Usamos de música para fazer emoções se manifestarem e serem reforçadas. Afinal, sons suplementam, complementam e conjuram sentimentos.

Contudo, a música em si não contem nenhuma dessas emoções.


As letras podem expressar sim sentimentos, mas a melodia não. Acordes maiores não são felizes, assim como acordes menores não são tristes. Nós fomos condicionados a entende-los como tal.


De acordo com a teoria da imitação de Platão, também conhecida como Mimeses, toda a criação é uma imitação. Até mesmo o mundo é uma imitação da natureza verdadeira (o mundo das ideias). Sendo assim, a representação artística do mundo físico seria uma imitação de segunda mão.


A música, segundo essa teoria, é uma imitação da expressão física dos sentimentos. Então, nós percebemos a estrutura da música como sendo similar à forma como nos expressamos quando sentimos o que sentimos.


Existem também teorias que existe um componente biológico nessa questão, e que nós estamos geneticamente predispostos a reagirmos de uma certa maneira ao ouvirmos sonoridades. Isso explica como cachorros “entendem” sonoridades felizes, ou então quando você está reprimindo ele.


Ou seja, não seria a música que imita, somos nós que respondemos.

Uma terceira teoria é que, na verdade, a emoção que uma música vai inspirar depende do contexto em que você está a ouvindo. A música então é uma tabula rasa que serve de repositório ou espelho para o seu estado de espírito.


Para que a música “comunique” algo, precisamos estar, portanto, predispostos a entender essa comunicação, e recebe-la como tal.

De acordo com as teorias de Patrik N. Juslin & DanielVästfjäll, pessoas apreciam música justamente pelas emoções que elas evocam. De acordo com eles, os elementos que podem induzir emoções ao ouvir um som são:
 
(1) Reflexo das células cerebrais, (2) Condicionamento evolutivo, (3) Contágio emocional, (4) Imagético, (5) Memória episódica, e (6) Espectativa.


Por exemplo, você fica triste ao ouvir uma música do Bruno Mars, não porque a música é triste, mas sim por ela lhe levar a fazer uma associação com uma pessoa ou um momento.

 

Silêncio é ouro

Em alguns momentos, palavras não são necessárias.

O Cinema, como um meio visual, não precisa se usar de diálogos para transmitir emoções. Momentos com apenas imagens e trilha sonora podem causar um impacto maior e mais profundo que qualquer coisa escrita.

Estranhamente, não são muitos diretores e filmes que se utilizam dessa ferramenta. Momentos quietos, na mão de um diretor menor, podem freiar um filme. Contudo, usando bem dessa multimodalidade, podem ser magistrais. 


Essas são minhas cenas favoritas sem (ou quase sem) diálogo:

Before Sunset - Loja de música

Poucas cenas transmitem tão bem o momento de apaixonamento (palavra inventada) que essa. As personagens já tiveram diálogos profundos, dando-nos a oportunidade de conhecê-los, e deles se conhecerem. Na loja, temos um momento de silêncio, representativo do ato de se apaixonar. Acho incrível!



Up - A vida de Ellie e Carl

Pixar é conhecida por suas cenas de manipulação emocional, onde levamos o proverbial soco no estômago. Em Up, através de uma montagem sem palavras, nós vivemos a vida desse simpático casal, seus altos e baixos, felicidades e tristezas, triunfos e perdas. Ao final, você também estará de luto.



O Poderoso Chefão - Cena do batismo

Não é silenciosa, afinal, está acontecendo um batismo. Contudo, podemos equiparar o diálogo existente com música de fundo. A cena transmite toda tensão, suspense e ritmo dos acontecimentos, nos dando insight sobre o que o protagonista está pensando, sem que seja necessário uma palavra.




A viagem de Chihiro - Cena do trem

Essa cena é uma de minhas favoritas, dentro de um filme espetacular. Depois de tudo que ela sofreu na casa de banhos, de preconceito à ataques, Chihiro encontra-se em uma jornada para salvar seu amigo. Os perigos ainda não acabaram, mas esse momento quieto de reflexão nos dá tempo para respirar.